Moradores relatam tentativas envolvendo pedidos de transferências, uso de fotos e nomes de conhecidos e abordagem que cita o Mercado Livre. Especialistas e órgãos oficiais recomendam confirmar qualquer solicitação por outro meio antes de enviar dinheiro ou fornecer informações.
Uma sequência de relatos envolvendo tentativas de golpes pelo WhatsApp tem chamado a atenção de moradores de Alvarenga e de pessoas que mantêm vínculos familiares ou profissionais com o município. Entre as abordagens estão pedidos de dinheiro via Pix feitos em nome de conhecidos, criação de perfis falsos usando fotografias de moradores e mensagens que utilizam o nome de empresas conhecidas para tentar conquistar a confiança das vítimas.
Uma das situações relatadas envolve uma abordagem em nome do Mercado Livre, na qual o interlocutor solicita três números que seriam supostamente “de confiança”. Outra prática recorrente é o uso do nome e da fotografia de uma pessoa conhecida para entrar em contato com familiares e amigos e solicitar transferências.
Os relatos reforçam um alerta importante: receber uma mensagem com o nome, a fotografia ou até informações pessoais de alguém conhecido não é garantia de que aquela pessoa esteja realmente do outro lado da conversa.
Órgãos de segurança digital alertam que criminosos podem utilizar perfis falsos e informações verdadeiras das vítimas para tornar a abordagem mais convincente. Em fevereiro de 2026, o Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital alertou para campanhas no WhatsApp em que golpistas empregam dados pessoais reais e criam situações de urgência para induzir vítimas a realizar pagamentos por Pix.
Golpe do conhecido que pede Pix
Uma das modalidades que mais preocupa é também uma das mais simples.
O criminoso utiliza a fotografia e o nome de uma pessoa conhecida e entra em contato com familiares, amigos ou outras pessoas de seu círculo social. Durante a conversa, afirma que está utilizando um número diferente ou apresenta alguma justificativa para o contato.
Pouco depois, surge o pedido: uma transferência por Pix, geralmente acompanhada de uma história que exige rapidez.
A situação pode envolver pagamento de conta, compra, problema bancário, emergência ou qualquer outra justificativa capaz de fazer a vítima agir antes de conferir quem realmente está enviando as mensagens.
É importante observar que o termo “número clonado” é frequentemente utilizado para diferentes situações. Nem sempre o criminoso tomou o controle da linha telefônica da vítima. Em muitos casos, basta criar uma conta em outro número e utilizar a fotografia, o nome e outras informações públicas da pessoa para tentar enganar seus contatos.
Por isso, quem recebe um pedido inesperado de dinheiro deve interromper a conversa e ligar para o número que já tinha salvo anteriormente ou procurar a pessoa por outro meio.
O material de orientação do Governo Digital recomenda justamente avisar os contatos quando criminosos criarem perfis falsos, disserem que houve mudança de número ou começarem a pedir Pix ou pagamentos em nome da vítima.
Abordagem usa nome do Mercado Livre
Outro relato envolve mensagens que fazem referência ao Mercado Livre e solicitam três números que seriam “de confiança”.
Até o momento, não foi localizada nos canais oficiais consultados da plataforma uma orientação que determine que usuários forneçam três números de telefone de pessoas conhecidas para esse tipo de procedimento.
Por esse motivo, mensagens desse tipo devem ser tratadas com cautela, principalmente quando chegam por contatos desconhecidos ou tentam convencer o usuário a fornecer informações, códigos ou realizar procedimentos fora do aplicativo ou site oficial.
O próprio Mercado Livre alerta que criminosos podem se passar por representantes da empresa por mensagem, e-mail ou telefone para tentar obter dados pessoais ou acesso às contas dos usuários. A empresa também orienta que códigos de segurança recebidos por SMS ou WhatsApp nunca sejam compartilhados e recomenda manter a verificação em duas etapas ativada.
A recomendação é simples: caso alguém alegue falar em nome do Mercado Livre, não siga instruções recebidas pelo contato suspeito. Entre diretamente no aplicativo ou no site oficial da plataforma e verifique a situação pelos canais de atendimento disponibilizados dentro do próprio serviço.
Conhecer a pessoa da foto não significa conhecer quem está enviando a mensagem
Esse é um dos principais cuidados que precisam ser reforçados em cidades menores, onde grande parte da população mantém algum vínculo de amizade, parentesco ou conhecimento entre si.
O golpista pode justamente explorar essa proximidade.
A fotografia de um comerciante, amigo, familiar, servidor, profissional conhecido ou qualquer outro morador pode ser retirada de redes sociais e colocada em um número diferente. A partir daí, o criminoso procura pessoas que tenham alguma relação com a vítima e tenta construir uma conversa convincente.
Em alguns golpes digitais, criminosos utilizam inclusive dados verdadeiros, como nomes completos e informações familiares, justamente para diminuir a desconfiança de quem recebe a mensagem. O Governo Digital alerta que essa estratégia tem sido utilizada em campanhas fraudulentas recentes no WhatsApp.
Por isso, o conhecimento sobre a pessoa representada pela foto não deve substituir a confirmação da identidade.
Como evitar cair no golpe
Alguns cuidados simples podem impedir um prejuízo:
- Recebeu um pedido de Pix? Não transfira imediatamente. Ligue para a pessoa utilizando o contato que você já tinha salvo.
- Desconfie de mudança repentina de número, principalmente quando a conversa termina em pedido de dinheiro.
- Confira o nome do destinatário do Pix antes de confirmar a operação. Se o pedido veio de um conhecido, mas o dinheiro será enviado para outra pessoa, redobre a atenção.
- Nunca compartilhe códigos recebidos por SMS ou WhatsApp, senhas, tokens ou códigos de autenticação.
- Evite clicar em links enviados por desconhecidos ou por contatos que estejam apresentando comportamento diferente do habitual.
- Se a mensagem citar uma empresa, banco ou plataforma, procure o aplicativo ou site oficial por conta própria, sem utilizar o link enviado na conversa.
- Ative a verificação em duas etapas nas contas que oferecem o recurso.
- Avise familiares, principalmente idosos e pessoas com menor familiaridade com tecnologia, sobre os golpes que estão circulando.
A estratégia de criar urgência é recorrente em fraudes digitais. Mensagens que exigem pagamento imediato, afirmam que há pouco tempo para resolver um problema ou pressionam a vítima a agir antes de conferir as informações devem ser vistas com desconfiança.
Fez o Pix e descobriu o golpe? É preciso agir rapidamente
Quem já realizou uma transferência e percebeu que foi vítima de fraude deve entrar em contato com a instituição financeira o mais rápido possível.
O Banco Central disponibiliza o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado especificamente para situações de fraude envolvendo Pix. Atualmente, as instituições devem disponibilizar no aplicativo uma forma de contestar a transferência e acionar o mecanismo.
O MED não representa garantia de que todo o dinheiro será recuperado, porque a devolução depende, entre outros fatores, da análise do caso e da existência de recursos que possam ser bloqueados. Ainda assim, quanto mais rapidamente a vítima contestar a operação, maiores são as possibilidades de atuação do sistema bancário.
Também é recomendado guardar prints das conversas, números utilizados pelos criminosos, comprovantes de transferências, horários, nomes e demais informações relacionadas ao golpe.
O material de orientação do Governo Digital recomenda ainda o registro de boletim de ocorrência, especialmente quando houve prejuízo financeiro ou utilização indevida de dados pessoais, além da denúncia dos perfis fraudulentos nas próprias plataformas.
Vítima cujo nome foi utilizado também precisa avisar os contatos
Existe ainda outra vítima nesses casos: a pessoa cuja fotografia e identidade estão sendo usadas pelos criminosos.
Ao descobrir que alguém está utilizando seu nome para solicitar dinheiro, a recomendação é comunicar imediatamente familiares, amigos, clientes e demais contatos.
Uma publicação nas redes sociais, por exemplo, pode informar que determinado número não pertence à pessoa e que nenhum pedido de Pix feito por aquele contato deve ser atendido.
Também é importante denunciar o perfil falso no aplicativo utilizado pelos criminosos e guardar registros do ocorrido.
Informação pode evitar novos prejuízos
Em uma comunidade onde muitas pessoas se conhecem, a confiança é justamente o elemento que pode ser explorado pelos golpistas.
Por isso, diante de qualquer pedido inesperado de dinheiro, a regra deve ser: confirmar antes de transferir.
Uma ligação de poucos segundos para a pessoa verdadeira pode evitar prejuízos financeiros e impedir que criminosos continuem utilizando a identidade de moradores para atingir outras vítimas.
O alerta vale para toda a população de Alvarenga, moradores de municípios próximos e também para quem, mesmo vivendo em outras cidades, mantém familiares, amigos ou vínculos profissionais no município.
Recebeu uma mensagem suspeita de alguém conhecido pedindo Pix ou utilizando o nome de alguma empresa? Não tenha pressa. Confirme a informação diretamente com a pessoa ou instituição antes de realizar qualquer pagamento.










